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Tradicional festa de Corumbá-MS, Banho de São João é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil

Processo para reconhecimento teve início em 2012

PorDa Redação

24 maio 2021
Banho de São João é festa tradicional em MS. Foto: Bolivar Porto

O tradicional Banho de São João recebeu o título de Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil. O resultado do processo, iniciado em 2012 pela Prefeitura de Corumbá, foi anunciado durante a 95ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que foi transmitida pela internet no canal do IPHAN no Youtube no último dia 19.

A festa é realizada sempre no dia 23 de junho em Corumbá e já é considerada Patrimônio Cultural e Imaterial de Mato Grosso do Sul pelo Decreto Nº 12.923, de 21/06/2010. A festa junina tem cortejo de andores e batismo do santo nas águas do rio Paraguai. Essa é mais uma representação da diversidade cultural dos festejos de São João do Brasil.
As margens do Rio Paraguai são o cenário da maior festa junina do Mato Grosso do Sul e de um dos festejos sacroprofanos mais diferenciados do Brasil. A festa remonta às origens de Corumbá e, pela sua singularidade, foi incorporada ao Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul. O evento torna-se ainda mais especial por estar inserido na capital do Pantanal, Corumbá, a maior região alagada do planeta, Patrimônio Natural da Humanidade reconhecido pela Unesco como reserva da biosfera.

A zona portuária de Corumbá, que já é protegida por lei, transforma-se em um grande arraial pantaneiro. Os cururueiros e suas violas de cocho, outro Patrimônio Imaterial de Mato Grosso do Sul, dão o toque musical à festa, que também recebe influência da cultura boliviana. Tradições do São João brasileiro como as quadrilhas juninas e comidas típicas fazem parte do arraial de Corumbá.

A parte religiosa, entre outros rituais, tem novenário em família e mastro da bandeira. Os mais de 100 “festeiros” de Corumbá capricham na decoração dos andores e altares domésticos. Seguindo a tradição, as mulheres cuidam dos quitutes juninos e os homens preparam a fogueira. A grande procissão de São João é precedida de pequenas procissões em torno das casas e em volta da fogueira. Algumas famílias mantém o banho caseiro onde a imagem de São João é batizada em tanques e cisternas.

Na noite de São João a população e turistas atraídos pela festa ocupam as ruas do Porto Geral. A descida da ladeira se transforma num ritual secular que inclui passar por baixo dos andores, caminhar descalço e banhar as dezenas de imagens conduzidas pelas famílias até as margens do Paraguai. Uma queima de fogos ilumina os céus de Corumbá anunciado a chegada do dia do santo que, segundo a Bíblia, teria batizado Jesus. Um dia para lavar a alma e festejar nas águas que simbolizam a vida da cidade e a imensidão do Pantanal.

Processo de registro

Em 2010, com o reconhecimento da Celebração Banho de São João de Corumbá como bem cultural de natureza imaterial do estado do Mato Grosso do Sul, foi solicitado ao Iphan reconhecimento em esfera federal. Os estudos realizados a partir de 2014 apontaram a necessidade de se ampliar o recorte espacial, incluindo o município de Ladário, onde a tradição também é realizada.

Já em 2018, o Iphan firmou parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) para dar prosseguimento ao dossiê do Banho de São João. O trabalho contou com incursões a campo para acompanhar a preparação da festa, resultando em inúmeras entrevistas, sendo 25 delas gravadas, com festeiros, devotos e autoridades religiosas e político-administrativas.

O registro de bens culturais de natureza imaterial foi instituído pelo Decreto 3.551/2000. Com o reconhecimento, o Banho de São João passa a ser acautelado pelo Iphan, que atuará na salvaguarda da festa, coordenando a execução de políticas públicas para a reprodução e sustentabilidade da manifestação.