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Tuiuiús adotam ninho artificial às margens da BR-262

Novo abrigo para as aves foi reconstruído em outubro de 2020, uma parceria entre Energisa, Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Embrapa Pantanal e Projeto Arara Azul

PorDa Redação

19 maio 2021
Aves em ninho artificial montado às margens da 262. Foto: Alexander de Oliveira
Aves em ninho artificial montado às margens da 262. Foto: Alexander de Oliveira

Sete meses após um ninho artificial ser reconstruído e implantado ao lado de um ipê que era usado por tuiuiús como ninho, e que foi queimado pelo fogo às margens da BR-262, próximo a Corumbá, um casal da espécie foi avistado e registrado na tarde de domingo (16), por Alexander de Oliveira. Fotos se espalharam rapidamente nos grupos e nas redes sociais e instituições comemoram a adoção do “novo lar” das aves que são símbolos do Pantanal. São parceiras nessa ação a Energisa, Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, Embrapa Pantanal e Projeto Arara Azul.

Conforme explica Walfrido Tomás, pesquisador da Embrapa, o registro do casal no ninho indica que previsões da equipe estavam certas. “Estávamos na expectativa de que voltassem para o local este ano, a fase reprodutiva deste animal inicia por volta de agosto. Este período, então, seria de retomada ao seu ninho, ou construção de um novo. O que deve ocorrer por agora é eles depositarem mais material acima da base já iniciada e no segundo semestre ter os ovos e depois os filhotes”, afirma o pesquisador.

Para Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, o fato “é sinônimo de esperança. É maravilhoso o sinal deles estarem de volta, local tão emblemático para a história, tombado inclusive como Patrimônio do Pantanal. O fato deles retornarem, reforça a fidelidade e memória de seu sítio de reprodução”.

O ninho artificial foi construído ao lado do pé de ipê, no alto de uma estrutura metálica usada em torres de transmissão. O espaço tem formato octogonal e foi forrado com pedaços de madeira do local, para deixar o mais próximo do ninho natural.

O projeto foi executado pela Energisa, com altura similar à da árvore queimada e teve o ninho inspirado nos que são construídos para cegonhas, na Europa. A iniciativa foi baseada em pesquisas da Embrapa Pantanal, Projeto Arara Azul e Fundação de Meio Ambiente do Pantanal.

“O Pantanal é um dos nossos maiores patrimônios. Ter abraçado essa causa e trabalhado para colocar a estrutura de 12 metros de altura em pé, de forma rápida, foi totalmente recompensado por esta cena dos tuiuiús no ninho. Ver a natureza se regenerando nos fala muito sobre a importância de unirmos forças, principalmente em momentos desafiadores. A natureza nos surpreende sempre e nos faz acreditar em dias melhores”, afirma o diretor-presidente da Energisa, Marcelo Vinhaes.

Ana Cláudia Boabaid, gerente da Fundação de Meio Ambiente de Corumbá, reforça os cuidados e medidas que devem ser tomadas para que o ninho se mantenha seguro ao casal de Tuiuiús. “Evitem ficar próximo do ninho, admirem o casal sem parar o veículo”, pondera.