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Carnaval com sabor: conheça alguns pratos típicos da gastronomia de Mato Grosso do Sul

PorTayana Vaz

16 fev 2021
qubratorto

O dia de Carnaval sem folia pede coisas saborosas, e com este período chuvoso, o Rotas do MS separou essas opções deliciosas para todos os gostos.

Mas antes de ir para a parte boa, precisamos ressaltar que a culinária sul-mato-grossense é uma das vertentes culturais que melhor demonstram essa variedade. As iguarias locais representam essa diversidade cultural do Estado e todas suas influências, tanto de outros países como de outras regiões do país.

Por exemplo, o prato que ganhou até monumento na entrada da Feira Central é o principal símbolo da gastronomia da Capital – onde mais de 1/4 da população do Estado mora – ganhou várias adaptações com o decorrer dos anos, sendo servido com carne bovina, suína e até possuindo uma nova variação, vegetariana.

O Sobá é um prato originário da Ilha de Okinawa no Japão. No Brasil, Campo Grande (MS), foi a primeira cidade a dispor de restaurantes que servem o prato, trazidos por imigrantes originários da ilha, que chegaram à cidade em 1908.

Outros pratos são pouco conhecidos do grande público, mas podem ser facilmente preparados em casa. Vamos lá?

1- Chipa

Chipa é influência do Paraguai e se tornou tradicional em Mato Grosso do Sul

Típica da cozinha argentina e do vizinho local Paraguai, a chipa é marca registrada de outra cultura muito forte no Estado, com traços históricos na música, política e até rivalidade (como a Guerra do Paraguai).

Em geral, o preparo de sua massa é bem simples: requer polvilho, óleo vegetal ou azeite de oliva, queijo ralado, ovos e sal. Após pronta a massa, as chipas são moldadas em forma de “ferradura” e levadas ao forno para assar.

Ainda falando sobre essa influência gastronômica, não podemos deixar de fora o nosso famoso tereré, não é de comer, mas é de beber e representa a cultura sul-mato-grossense.

Para quem não conhece, ele parece o chimarrão dos pampas, mas a erva usada é diferente, a bomba para a sucção da bebida também e o ao invés de água fervendo, ela precisa estar bem fria para servir.

2. Sopa Paraguaia 

A famosa sopa que não precisa de colher e nem prato para comer  

Como o próprio nome já diz, a influência do nosso vizinho é bem forte em Mato Grosso do Sul.

A sopa paraguaia foge bem do conceito de sopa conhecido no restante do país – que geralmente envolve mais líquido do que sólido – e é uma das iguarias mais curiosas aos turistas que visitam o Estado

3. Quebra torto

A primeira refeição do dia no Pantanal

Quebra-torto é o que não pode faltar na mesa pantaneira, o prato é comum nas fazendas de Mato Grosso do Sul.

É no café da manhã, sim isso mesmo, na primeira refeição do dia, o prato é composto por ingredientes que seriam mais comuns no almoço em outros locais. Com gostinho de fazenda, o arroz carreteiro é feito com arroz e carne seca, ovo frito e outros temperos.

O arroz carreteiro faz parte da história do Rio Grande do Sul, a origem do prato vem das comitivas boiadeiras, quando se transportava o rebanho através das estradas ainda de chão batido. Como não se podia congelar a comida, o charque era levado no lombo de animais em baús (bruacas) e se tornou fundamental na tradição culinária do Pantanal.

4. Caldo de piranha

O caldo é a receita mais preparada deste pescado

Peixe abundante nos rios do Pantanal é também bastante apreciado na cozinha, com fama de ter propriedades afrodisíacas.

A gastronomia pantaneira possui um cardápio que sofreu influência de outros países sul-americanos. Entre os ingredientes de uma culinária tão rica é possível destacar a presença de peixes como: Pacu, Pintado e o Dourado que podem ser fritos, cozidos ou assados além do caldo de piranha.

A piranha é considerada como um peixe difícil de se comer inteiro por conta de suas espinhas, por isso o caldo é a receita mais preparada deste pescado.

5. Paçoca de carne seca

A carne-seca é batida no pilão até formar uma paçoca 

Tradicionalmente encontrada na rota Norte de Mato Grosso do Sul, destacamos na culinária regional: a paçoca de carne seca, feita com carne-de-sol e farinha de mandioca socada no pilão.

O prato é herança da tradição alimentar dos índios, que tinham como base da alimentação a mandioca. A paçoca de carne seca pode ser servida como prato único ou acompanhada de arroz branco, couve mineira, purê de mandioca, banana da terra cozida ou mandioca cozida. 

6. Sarravulho

Um prato representante da gastronomia pantaneira

O sarravulho teve sua origem em Portugal. Era uma espécie de cozido da miudeza do carneiro com batatas. Em Corumbá, o senhor Eleutério Gouveia, nascido em Portugal, fez uma adaptação utilizando a miudeza do gado pantaneiro.  Hoje em dia é muito servido em festas como prato anterior ao churrasco. 

Os pratos são feitos a base de carne de porco com os nomes arroz de sarrabulho e papas de sarrabulho, aqui foi transformado no prato típico pelo corumbaense com ingredientes à base de (miúdos de bovino com vinho, lingüiça, calabresa, paio e azeitonas).

6. Quibebe de mandioca

Quibebe de mandioca sul-mato-grossense é um cozido de carne assada 

Com dias chuvosos e temperaturas amenas, um quibebe de mandioca é um prato ideal, principalmente quando sobra aquela carne do churrasco do dia anterior.

O termo ‘quibebe’ batiza outros pratos, alguns até doces, mas o quibebe de mandioca sul-mato-grossense tem um toque pantaneiro e é um cozido de carne assada (geralmente oriunda de algum churrasco realizado na véspera) com a mandioca também cozida. 

7. Pintado à urucum

Um prato saboroso criado no pantanal de Mato Grosso do Sul (Foto: Restaurante Casa do João)

Se você já usou colorau para dar cor a um prato, então você já usou urucum em sua cozinha. Na verdade, o urucum é um “tempero que não tempera”. Seu sabor é muito suave, o que não atrapalha os outros ingredientes do prato.

Um dos pratos tipicamente pantaneiro e saborosos, foi criado no Pantanal há mais de 40 anos e agrega o filé de pintado, peixe muito encontrado e é apreciado na região de Corumbá e Ladário.

Os filés são empanados no trigo, fritos, e servidos em um molho à base de urucum, leite de côco e tomates, com queijo para gratinar. 

A gastronomia sul-mato-grossense é rica em cores, aromas e texturas. É uma mistura de várias contribuições das muitas migrações ocorridas no Estado e que valem a pena ser experimentadas.